Meu nome é Lee Khanti é o meu nome artístico com o qual assino meus trabalhos.

Nasci em 1987, na antiga URSS, no Quirguistão. Aos quinze anos me mudei pro Brasil, onde construí a minha vida e hoje moro em Curitiba, com meus dois filhos e quatro gatinhas.

 

O começo 

 

Durante a minha infância, passava muito tempo lendo livros e admirando as ilustrações, principalmente quando eram contos com temáticas fantásticas e mitológicas, fábulas eslavas, histórias sombrias com personagens metamórficos, entre outros. Um desses livros,  "Gansos e Cisnes", guardo com carinho até hoje. 

Sempre fui apaixonada pelo ato de criar. Desenhava, brincava com tinta, giz, colagens, fazia bonecas de papel e de pano, arte com reciclagem, modelava argila e experimentava outros materiais que me permitissem  criar meus próprios mundos. 

Passava horas absorta nessas atividades porque era esse meu habitat natural.

Quando adulta, me tornei mãe e essa experiência exigiu aberturas distintas pra viver e me desenvolver numa nova realidade, não mais só minha, mas compartilhada com meus filhos.

 Trabalhei um tempo na área da gastronomia, foi um período que não consegui me dedicar tanto à arte, precisei dar uma pausa por alguns anos, mas aos poucos o meu ritmo criativo foi voltando e ficou de vez, pois acabou se alinhando com o meu primeiro contato com tatuagem. 

Aos vinte e um anos, devido às misteriosas sincronicidades, conheci pessoas maravilhosas que me apresentaram o mundo da tatuagem. Na época, eu nem imaginava que um dia eu poderia trabalhar com isso. 

Desde então, comecei a atender em casa, depois trabalhei em diversos estudios, fui experimentando estilos diferentes, aprendi de tudo um pouco. 

Foi um processo lento de lapidação até que eu encontrasse o que eu posso chamar de minha identidade artística hoje, uma mistura de hachuras, traços delicados e sombras, com um toque ornamental. 

 

O universo que crio 

 

Minhas tatuagens, pinturas e esculturas nascem de um lugar comum: metamorfose, seres-espíritos, natureza, figuras femininas e arquétipos, mistérios da vida, emoções e sentimentos. 

 

~ Para além da fantasia, é o instante exato de transformação, o poder de deixar de ser o que se era. ~

 

 E na busca de diferentes ângulos pra tentar entender o que nos transforma, hoje crio camadas em minhas obras, cada uma influenciada pela minha curiosidade sobre a subjetividade humana, pensamentos e sentidos, sobre a poética da vida em si, com suas dores e cores, símbolos e portais a serem descobertos.  

 

Escrita e observação 

 

Escrevo desde que me lembro. Tive muitos diários quando criança e hoje em dia ainda mantenho o hábito de escrita ativa. É como organizo o que sinto, como percebo padrões, entendo relações e também, como alívio dúvidas sobre a vida. A escrita me revela coisas que eu não conseguiria vislumbrar de outro modo. É uma conversa comigo mesma. E nela também, nascem ideias preciosas.

Sempre que posso, procuro contato com a natureza, observando os pequenos detalhes, texturas, sons, movimentos e a vida acontecendo. Tudo isso sem querer, também acaba virando insumo criativo, além de uma simples contemplação. Como também a minha solitude, o silêncio necessário pra encontrar paz e calma no meio da agitação cotidiana e urbana, traz seus tesouros e insights que só acontecem nesse estado. 

 

O que busco 

 

Ao longo desses dezoito anos de carreira, fiz amizades com colegas e clientes e vivo trocas que considero sagradas. Cada tatuagem, tela ou mural nasce de um processo relacional de confiança, de comunicação. E o meu objetivo é seguir com a minha paixão que é criar, trazendo arte e fantasia pra esse mundo que tanto precisa.